Gourmetização da vida: do Bike lanche ao Food bike
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Gourmetização da vida: do Bike lanche ao Food bike

A gourmetização de todas as coisas
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A gourmetização de todas as coisas

Há algum tempo temos observado o movimento que muitos batizam de “gourmetização”, uma prática – eu diria, de marketing – que pode transformar qualquer alimento, acessório ou negócio que envolva comida, em um item, marca ou conceito “gourmet”. Vamos, então, desmistificar a coisa toda. Gourmet, termo francês, originalmente, refere-se a uma pessoa que aprecia/entende de vinhos e boa gastronomia. Essa definição é facilmente encontrada em livros de gastronomia (segue uma lista de sugestões no final do post).

Obviamente, a expressão tem sim, uma forte relação com o conceito da “alta gastronomia”, uma cozinha que preza pela qualidade dos ingredientes e da apresentação dos pratos. Embora o termo tenha sua origem bem definida, atualmente, gourmet pode designar uma série de itens na gastronomia ao redor do mundo, entretanto, permanece ainda sua relação com a qualidade da mesa.

Porém, o uso do termo tem ultrapassado o exagero e gourmet tem deixado de ser sinônimo de qualidade, para se transformar em sinônimo, muitas vezes, de comida ruim e cara. A falta de limites de sua utilização levou à criação de “memes” como o Raio Gourmetizador. O incômodo quanto ao uso do termo não é de hoje, o Tumblr Gourmetização da Vida também já tratava do tema.

A gourmetização vai cada dia mais além. Os famosos “Bike Lanches” brasileiros também foram atingidos. As tradicionais bicicletas equipadas com isopor para bebidas e depósito para salgados ganha suas primeiras versões gourmet, as Food Bikes. A Le Sacolé vende sacolés – o geladinho, dindin, ou picolé de saco – em sabores como maracujá com gengibre e laranja com manjericão. Dolcellino, Picoleteria, Pudim Mania, Bike Burger, Los Mendozitos e o Bike Café estão explorando o “novo” seguimento, todas de São Paulo.

Bike Lanche

Foto: Túlio Tsuji (Poesia do Olhar)

Na Picoleteria, um picolé custa, em média, R$8,00. Na Le Sacolé, os sacolés custam em média R$3,00 (achei justo – tem sacolé de Cosmopolitan, por exemplo). Na Pudim Mania, o pudim custa R$10… E por aí vai…

Captura de Tela 2015-02-01 às 22.02.13Imagem: Google

Eu que gosto de vinho – e não é pouco – adorei os Los Mendozitos. Os rapazes donos dessa ideia querem desmistificar o consumo da bebida. As taças variam entre R$10 e R$18, e as garrafas, entre R$55 e R$82. E, quem anda gostando também, são os paulistas. O MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo, e um Shopping da cidade, já programaram eventos para receber uma reunião de “Food Bikes”.

Food Bike Vinhos

Foto: Facebook Los Mendozitos

E, se pararmos para comparar a comida do “Bike Lanche” e as opções das “Food Bikes”, é possível designar sua grande maioria como, verdadeiramente, alimentos gourmet. Exagero, ou não, é sempre bom ver novos negócios e empreendedores surgindo. E os jovens brasileiros estão mergulhando e apostando em suas ideias.

Mas, mesmo me animando muito com a abertura de novos mercados, confesso que sinto saudades da época de infância na casa da minha avó quando comprava 10 dindins (sacolés) por R$1.00. Sim. UM REAL. Cada um custava R$0.10. Com a inflação eles passaram a custar R$0.25, hoje, na minha vida adulta. Ainda assim, com R$3, daria para comprar 12 sacolés da vizinha da vovó… e o de côco ainda vinha com pedacinhos… D. Dica Sarmento era gourmet e não sabia… 😀

Fonte de nomes de novos empreendimentos: O Globo.

A indicação de livros que comentei lá no início:

LEAL, Maria Leonor de Macedo. A história da gostronomia. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 1998.
FRANCO, Ariovaldo. De cacador a gourmet: uma história da gastronomia. São Paulo: Senac, 2001.
FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Comida: uma história. Trad. Vera Joscelyn. Rio de Janeiro: Record, 2004.

 

        

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